Esta
pesquisa pretende discutir a influência da música na formação
da identidade nacional, dando ênfase principalmente nas manifestações
musicais durante o II Reinado, o qual está compreendido entre 1849 a 1889. Sendo este
período repleto de novidades. Assim, com a coroação
de D. Pedro II, tendo início no Brasil o II Reinado (O governo pessoal de D.
Pedro II) que duraria quase 50 anos, sendo o mais extenso de toda a história do
Brasil. Trata-se relativamente do período de consolidação
das instituições nacionais e de desenvolvimento
econômico.
Em sua trajetória, o país passou por uma série de redefinições
internas. Nesse sentido, os aspectos sócios econômico,
político e cultural do Brasil refletem-se na música, portanto, fica lúcido a
importância
da utilização da música como índice de inteligibilidade
para a compreensão de fatos históricos, culturais e
sociais.
Deste
modo, procurando através das manifestações musicais da música erudita
produzida durante o II Reinado, definir este recorte temático com a finalidade
de perceber na música um dos elementos da identificação
da identidade brasileira, mediante a ressalva feita por Silva, “a identidade e
a diferença não podem ser
compreendidas, pois fora dos sistemas de significação
nos quais adquirem sentidos”. Não são seres da
“natureza, mas da cultura e dos sistemas simbólicos que a compõem”
(SILVA, 2000, p. 78). Isso significa dizer que a música participou também da
construção
da identidade brasileira.
A
proposta é a de perceber nas práticas musicais, como um dos elementos constitutivos
da identidade nacional. De certa maneira vem aprofundar questões
relacionadas a aspectos culturais desse momento. Segundo Andrade (1994), a
necessidade de compreender as bases socioculturais que permitiram o
aparecimento de determinadas formas e práticas musicais e que a historiografia
sobre o assunto denominou de música tipicamente construída no Brasil, foram
decisivas para essa proposta de trabalho.
Imaginemos um eixo diacrônico
que represente a história dessa música. Podem-se observar permanências e
transformações de diversos procedimentos
musicais presentes em “diferentes temporalidades, procedimentos estes que foram
sendo elaborados historicamente, através da prática social, de práticas
rituais, de lógicas de produção, de novidades técnicas e de forma
que se moldaram a partir de suas funções”. (MERIAN, 2000, p. 18)
Observa-se que muitos desses procedimentos (conjunto instrumental utilizado,
ritmos, acompanhamentos harmônicos, tipos de letras, temas e
etc.), ainda presentes hoje, muitas vezes perderam os significados de outrora e
adquiriram novos significados. Mesmo assim, percebe-se a continuidade de muitos
formatos e de muitas funções que acabaram por tornarem-se
sedimentos para a reelaboração de novas expressões
no campo da música.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE,
Mário de. Aspectos da música brasileira. Belo Horizonte: Villa Rica, 1994.
MERRIAM,
Alan. Estudos musicais. Lisboa: Gradiva, 2000
SILVA,
Tomaz Tadeu da. “A produção social da
identidade e da diferença”. In: SILVA, Tomaz Tadeu da. Identidade e
diferença: A perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000.
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